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O número de homicídios dolosos no estado do Rio de Janeiro atingiu em 2019 o menor patamar desde 1991, quando o dado começou a ser contabilizado. Foram 3.995 homicídios de janeiro a dezembro do ano passado, 19% a menos do que em 2018. O índice seguiu tendência nacional de queda dos homicídios, iniciada em 2018.

Ao mesmo tempo, o número de mortes por intervenção policial bateu recorde no estado em 2019, com 1.810 casos, o maior número desde 1998. O índice aumentou 18% em relação a 2018.

As estatísticas de dezembro foram divulgadas nesta terça-feira (21) pelo ISP (Instituto de Segurança Pública) e seguem tendência já apresentada nos meses anteriores.
Os números vêm na esteira do discurso linha-dura e das operações policiais promovidas pelo governador Wilson Witzel (PSC), eleito sob a bandeira do endurecimento na segurança pública.

Segundo pesquisa Datafolha, divulgada em dezembro, a aprovação da política de segurança no Rio de Janeiro subiu sob a gestão do governador Wilson Witzel (PSC).

O percentual de moradores da capital fluminense que a consideram ótima ou boa saltou de 3%, em março de 2018, para 15% neste mês.

A rejeição ao desempenho do governo estadual na área caiu de 85% para 55% no período. A queda, contudo, não evitou que a maioria dos cariocas continuasse achando a política de segurança do estado péssima ou ruim. 

Especialistas consultados pela Folha de S.Paulo afirmaram que a melhora na avaliação não deve se sustentar, a não ser que o governo apresente medidas de médio e longo prazo. Para eles, a diminuição da rejeição é uma reação momentânea ao discurso linha-dura e à alta da letalidade policial.

Em setembro, a Folha de S.Paulo mostrou que estudo feito pelo Ministério Público do Rio concluiu que o aumento de mortes pela polícia não tem relação com a redução dos homicídios dolosos.

"Há de fato áreas onde o aumento de mortes pela polícia é acompanhado da queda dos homicídios dolosos, mas esse não é o padrão geral", indicou o relatório.