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Quando Witzel deixará de fazer campanha e começará a governar?

Por Cláudio Magnavita

Quando alertamos no CORREIO DA MANHÃ que a lógica witziana só pensava na chegada ao Planalto, deixando o governo do estado como mero trampolim para o sonho presidencial do governador, afirmamos que ele deveria primeiro mostrar resultados de gestão para depois se habilitar na candidatura a presidente.

O que assistimos no caso da Cedae é grave. Houve um desgoverno total nestes 20 dias de crise, e a população está sentindo literalmente na pele o que ocorreu. A decisão de Wilson Witzel de justificar a crise a uma “tentativa de sabotagem” para depreciar a Cedae no processo de privatização é assustadora. A principal missão dos prepostos do Pastor Everaldo Pereira indicados para a empresa, segundo associações de ex-funcionários e especialistas, é exatamente essa. Missão que Pereira e o ex-deputado Eduardo Cunha tentaram no passado e que se manteve por anos, até a conquista do Palácio do Guanabara pelo PSC.

Algum cristão de boa-fé acredita em nome de quem está dupla estaria agindo? Atuando a favor do Comprador ou do Vendedor? O histórico de Eduardo Cunha ajuda a responder esta questão. Se a Cedae for vendida na bacia das almas ganhará os prepostos dos compradores.

Se houver desvalorização, o que já ocorre beneficiará aqueles que ainda estão ocultos nesta equação.

As associações apontam que o currículo da atual gestão é ligado a setores empresariais interessados na privatização. Se a tese da sabotagem prosperar é importante investigar esta teia de conexões.

O presidente da Cedae, Hélio Cabral, soube com antecedência da contaminação por geosmina e não parou com a alimentação do Guandu, não queria traumatizar pontualmente o abastecimento. Quando soube, avisou ao governador em exercício, Cláudio Castro, o vice que substituía o Witzel de férias? Por que Cabral não tomou providencias imediatas com relação ao carvão ativado e deixou que a água passasse para as torneiras da população?

Foi um desastre anunciado, isso sim é uma “verdadeira sabotagem” com nove milhões de consumidores, e a imagem da empresa foi para o espaço. Agora, com o seu nome enlameado, ela está pronta para ser vendida.

No meio de tudo, a incapacidade do governador de assumir o problema como seu. Ele só falou ao apontar sabotagem contra a sua boa imagem. Só se mexeu para proteger o seu sonho presidencial. Só no dia 23 de janeiro, três semanas depois da crise, resolveu visitar Guandu. Antes apenas demitiu um diretor da Cedae, nomeado por Witzel em agosto, para substituir um primo (sócio de empresas concessionarias de água de municípios) em uma área vital da empresa. O demitido está no TCE há quase 20 anos, ou seja, fora da realidade da empresa à qual pertence e ligado a um conselheiro afastado pela operação Quinto do Ouro. 

Com a crise caberia a um governador que tem prazer e sabe a responsabilidade de governar ter interrompido as férias, reassumir imediatamente o governo, visitar imediatamente a estação do Guandu e evitar o pânico e a histeria da população. Faltou total capacidade de gerenciamento de crise. O caso fica mais grave porque Witzel não consegue demitir o presidente da Cedae, indicado do seu ex-patrão e líder partidário Pastor Everaldo. Só a melancólica coletiva de imprensa realizada na sede da empresa seria motivo para a guilhotina funcionar. 

Os planos eleitorais de Witzel começam a ser afogados pela falta de pulso e pela sua inexperiência como governante. Foi ele que nomeou o diretor demitido como pivô da crise, foi dele a nomeação do indicado do pa$tor para a presidência da empresa, foi ele que não interrompeu suas férias ao primeiro sinal de crise e é ele que não apresenta uma solução para ressarcir o consumidor que terá de pagar agora em fevereiro a conta de consumo por um produto fedorento e suspeito de causar mal à saúde. Somem também a demissão em massa de mentes mais brilhantes da Cedae. 

Assim, o segundo ano do governo do Rio começa com nove milhões de moradores do Rio e da Baixada sendo extorquidos pela Cedae e por comerciantes de água mineral, e furiosos por um governador que prefere ficar em permanente campanha para a Presidência e não governar.