Capital paulista pode ter atingido ápice de mortes por coronavírus

O número de óbitos decorrentes do novo coronavírus registrados na capital paulista nos últimos sete dias indicam o menor crescimento da epidemia em cinco semanas, mostram dados aferidos e depurados pela Fundação Seade. Apesar de ter ultrapassado a marca de 5.000 mortes, a capital parece viver uma desaceleração no número de mortes.

O registro de novas mortes continua aumentando, mas com velocidade menor do que a registrada no fim de maio. Para infectologistas, os números mostram uma estabilização de óbitos na capital, o que significa que o pico da pandemia tenha sido atingido -o que não elimina, porém, a possibilidade de que um novo pico sobrevenha.

Os dados mostram que entre os dias 3 e 9 de junho foram registradas 509 mortes, segundo a média móvel de sete dias.

O indicador é usado para reduzir efeitos como o que ocorre aos finais de semana, quando as notificações caem. De acordo com esse dado, o pico de óbitos teria ocorrido no dia 29 de maio, com 109 casos. Nesta terça (9), eram 90 casos -uma queda de 17%.

Desde 29 de maio, a média móvel de sete dias recua. É a primeira vez que a cidade registra uma sequência de dez dias com essa taxa em queda.

No início de maio, a cidade registrou queda da taxa por sete dias, mas depois houve retomada. Na época, o pico tinha ocorrido em 29 de abril, com 94,4 casos, e teve desaceleração até 7 de maio, quando recomeçou o crescimento da taxa.

Segundo especialistas, a sequência de dez dias em queda permite dizer que a capital chegou ao "platô" -o ápice de mortes, mas sem a queda abrupta imediata que caracteriza o pico.

Na terça (9), o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, destacou o crescimento em baixa velocidade na cidade e afirmou que o sistema de saúde da capital já não corre mais o risco de colapsar pela pandemia de coronavírus.

A desaceleração do crescimento de casos e mortes pela doença é a justificativa do governo estadual e da prefeitura para a reabertura do comércio na cidade. Nesta semana, São Paulo autorizou o funcionamento do comércio de rua e shoppings depois de também ter autorizado a retomada de concessionárias de veículos e escritórios.

O infectologista Celso Granato, diretor clínico do Fleury, diz que o dado mostra estabilização das mortes, mas destaca que o relaxamento do isolamento social pode reverter a tendência registrada nos últimos dias.

"Todos os dados que temos para medir o avanço e a disseminação da doença mostram um cenário de duas a quatro semanas atrás. Estamos sempre medindo a situação com certo retardo, e não há outra forma. Por isso, a retomada das atividades comerciais não pode significar que as pessoas podem voltar às suas vidas de antes", diz.

Para Granato, o indicativo de estabilização dá segurança para a flexibilização faseada e gradual dos setores da economia, mas não é garantia de que a cidade não possa ter novo aumento. "Com a retomada, os cuidados têm que ser redobrados para evitar um novo repique."

O infectologista Jean Gorinchteyn, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, também avalia que a estabilização de mortes e novos casos e a redução da ocupação dos leitos de UTI permitem iniciar o plano de reabertura, mas afirma que será necessário revisar constantemente a situação.

"Os dados de hoje mostram a situação de duas semanas atrás. Só vamos saber o impacto da reabertura em 15 dias. O governo precisa estar atento a essas informações para retroceder na flexibilização se houver aumento nessas taxas."