Dia Internacional da Visibilidade Trans: Pesquisadora da Unigranrio sobre o tema e mãe de adolescente trans reclama da falta de apoio

O dia 31 de março marca o Dia Internacional da Visibilidade Trans. Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Administração da Unigranrio, Rejane Prevot, que é mãe de uma adolescente trans, pesquisa questões de gênero no ambiente de trabalho, com foco em mulheres e na comunidade LGBTQIA+. Para Rejane, uma questão principal que afeta muito o âmbito familiar da população transgênero é a solidão dos pais que, ao se depararem com a situação de terem um filho ou uma filha trans, não encontram amparo, apoio da família e nem da sociedade.

Rejane chama a atenção para a importância da conscientização de que uma pessoa trans não é um produto de um meio adoecido, ou de uma família disfuncional que não soube educar. “Ela é um ‘produto’ das condições de humanidade e a humanidade pressupõe uma enorme gama de possibilidades. Uma pessoa trans é um produto natural de uma sociedade”, explica.

Segundo a acadêmica, outro tema relevante, que deve ser debatido na data, é a falta de acesso de jovens trans ao mercado de trabalho. Muitas pessoas transgênero conseguem emprego, mas como a maioria das empresas não têm políticas de inclusão definidas, com treinamento e de conscientização, há um descompasso entre as políticas de contratação e as ações do dia a dia. Assim, as pessoas terminam sem conseguir levar o trabalho adiante.

“Existem os jovens que são expulsos de casa, das escolas, que são espancados, que precisam se prostituir para sobreviver e os que estão em situação muito precária”, analisa Rejane. Segundo ela, a representatividade de pessoas trans que conseguem driblar a invisibilidade e chegar a posições de destaque, como por exemplo a Lina, que está no Big Brother Brasil, é muito importante para todas as pessoas trans. “Qualquer caso de projeção significa uma enorme representatividade”, completa. Manuela, filha da Rejane, quer fazer Direito na para ser juíza motivada pelo fato de que, atualmente no Brasil, não existe nenhum juiz ou juíza trans.

No Rio de Janeiro só existe um centro de tratamentos médicos especializados em transgeneridade, pelo SUS, com mais de 500 pessoas na fila para atendimento atualmente. Rejane denuncia que há ainda os casos das pessoas que se reconhecem transgênero, mas não possuem acesso a tratamento de hormonização e acabam se automedicando, o que representa um enorme perigo e problema de Saúde Pública. “Cada organismo funciona de uma forma e precisa de um tratamento específico”, conclui ela, reforçando a relevância de uma agenda para a causa.