Por Gustavo Uribe e Klaus Richmond (Folhapress)

O presidente Jair Bolsonaro decidiu antecipar para esta segunda-feira (13) o retorno a Brasília depois de um período de descanso no litoral de São Paulo.

O plano inicial era que ele se voltasse para a capital federal apenas na manhã de terça-feira (14), mas ele informou a auxiliares presidenciais que embarcará no meio da tarde. A expectativa é de que ele pouse em Brasília por volta das 17h. 

O retorno antecipado, de acordo com aliados do presidente, deve-se ao mau tempo e ao cancelamento de visita que ele faria ao porto de Santos nesta segunda-feira (13).

Em live, na última quinta-feira (9), Bolsonaro disse que visitaria a região portuária e poderia anunciar novidades.

O cancelamento ocorre após o presidente ter protagonizado uma disputa pública com o governador de São Paulo, João Doria.

Na transmissão online, ele acusou o tucano de estar "completamente desinformado" sobre a privatização do porto de Santos.

Doria havia dito que os portos de Santos e de São Sebastião serão desestatizados neste ano. O Ministério da Infraestrutura já havia negado a informação. 

A pasta ressaltou que as privatizações seguem previstas para 2021 e não há como fazer as concessões antes desse prazo.

Desde que Doria sinalizou interesse em disputar o Palácio do Planalto em 2022, o presidente, que avalia disputar uma reeleição, tem feito críticas públicas ao tucano.

O porto de Santos é administrado pela Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), que é vinculada ao Ministério da Infraestrutura.

"O senhor [Doria] está completamente desinformado. O ministro desmentiu essa informação e, afinal de contas, com todo respeito, quem pode falar pelos ministros sou eu", disse Bolsonaro. "Quando o senhor for presidente da República, daí é fácil", acrescentou.

Na última sexta (10), Bolsonaro esteve ao lado de desafetos políticos de Doria na inauguração do novo pronto-socorro da Santa Casa de Santos.

Principal convidado do evento, Bolsonaro dividiu palco com os prefeitos de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), e de São Vicente, Pedro Gouvêa (MDB), além do presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf (MDB).

Principal alvo dos elogios de Bolsonaro, Skaf foi adversário de Doria na campanha eleitoral de 2018 e trocaram seguidas farpas públicas. 

Durante a eleição em 2018, Paulo Alexandre dirigiu críticas a Doria, a quem acusou de ter traído Geraldo Alckmin (PSDB), enquanto Gouvêa, cunhado do ex-governador Márcio França (PSB), travou um embate público em torno das obras de recuperação da ponte dos Barreiros, principal ligação entre a área insular e continental de São Vicente, interditada desde 30 de novembro.