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Por Marcia Silva, especial para o Correio da Manhã

Gênio da tecnologia e da administração, o americano Bill Gates sempre surpreende. Foi assim, por exemplo, quando deixou seu cargo à frente da Microsoft para trabalhar em pesquisas para um mundo melhor na Fundação Bill & Melinda Gates. Também gosta de fazer palestras, nunca remuneradas. Ele pode. Sua fortuna é estimada em US$ 110 bilhões. Foi justamente numa dessas palestras que Gates demonstrou saber, há quatro anos, que a humanidade teria de encarar, mais cedo ou mais tarde, um vírus bem encrenqueiro – e há quem diga que ele estivesse falando do coronavírus.

As semelhanças são muitas. Ele diz que seu medo, hoje, não é uma terceira guerra mundial – temor muito comum nas gerações mais velhas. Sua preocupação maior é com os microrganismos, capazes de provocar doenças e com alto índice de contágio. Depois de citar as epidemias de ebola e H1N1, ele diz como o “sistema” agressor funciona e como devemos combatê-lo:

- Na verdade, vejamos um modelo de um vírus espalhados pelo ar, como o da gripe espanhola, em 1918. Vejamos o que aconteceria: ele se espalharia pelo mundo muito, muito rapidamente. Poderíamos ver que mais de 30 milhões de pessoas morreriam de epidemia. Então, esse é um problema sério. Deveríamos nos preocupar, mas, na verdade, podemos criar um sistema de reação muito bom. Temos a vantagem de toda a ciência e tecnologia de que falamos aqui. Temos telefones celulares para coletar informações das pessoas e divulgar informações para elas. Temos mapas de satélites. Temos telefones celulares para coletar informações das pessoas e divulgar. Informações para elas. Temos mapas de satélites em que podemos ver onde as pessoas estão e aonde vão. Temos avanços na biologia, que mudariam drasticamente o tempo de resposta para analisarmos um patógeno e sermos capazes de criar vacinas e medicamentos compatíveis com ele. Podemos ter ferramentas, mas elas precisam ser colocadas num sistema geral de saúde global, e precisamos de preparação. Acho que as melhores lições sobre como nos preparamos são, mais uma vez, o que fazemos para a guerra. Soldados ficam preparados para agir a qualquer momento.
 
Em suma, precisamos de muito investimento em pesquisa e desenvolvimento, além de cuidados básicos de saúde. Gates critica que investimos muito em estratégias antinucleares, mas investimos muito pouco em um sistema que detenha uma epidemia. E lamenta que não estamos prontos para uma próxima epidemia. Até agora, diz ele, o resultado é Germes 1 X 0 Pessoas.