O Rio precisa de Paz com “Z” e com “S”

Depois do CORREIO DA MANHÃ entrevistar as quatro principais candidatas à Prefeitura do Rio, chegou a vez dois dois principais candidatos, de acordo com a maioria das pesquisas eleitorais. Prefeito que comandou a cidade no período da Copa do Mundo e das Olímpiadas, Eduardo Paes (DEM) tanta voltar ao Palácio da Cidade e nesta entrevista, ele comenta como deixou a Prefeitura depois de dois mandatos, suas motivações para retornar à política e seus planos para, na sua opinião, melhorar o Rio.

CM: Iniciamos nossa série de entrevistas com as candidatas mulheres. Para começar esta conversa, fale um pouco do que você pretende fazer pelas mulheres em sua campanha.

EP: Quando se faz a política pública em escala, de maneira geral, ela atinge as mulheres, pelo protagonismo delas na sociedade. Quando falamos em políticas públicas estamos cuidando das famílias e atingimos as mulheres, porque, nesse cenário, elas acabam sendo as grandes protagonistas. Quando vamos para a área da saúde e se cria um Hospital da Mulher, uma maternidade nova, programas como o Cegonha Carioca e até mesmo a Clínica da Família, atenção básica da saúde. Quando na educação se aumenta o número de crianças nas escolas em turno único e cria o espaço infantil, você atinge indiretamente as mulheres. No “Programa Minha Casa, Minha Vida” quando se dá a posse do imóvel sempre para a mulher, você está cuidando da família e resguardando a mulher. Em todas as frentes de políticas públicas, trouxemos a mulher sempre em primeiro lugar. Além das políticas públicas focadas para elas, como a criação das Casas da Mulher, casas de proteção para elas, além de sermos os primeiros a trazer a Secretaria Especial da Mulher no país.

CM: Este ano temos um número grande de candidatas mulheres. Isso é um avanço político, termos tantas candidatas mulheres nesta eleição?

EP: Acho positivo esse equilibro no jogo, aliás, é melhor coisa que pode acontecer. O fato de termos mulheres negras na eleição, mesmo a Benedita não sendo nenhuma novata, mas a Renata é novata. A Suêd também é negra e pela primeira vez disputa um cargo no Executivo. O fato de termos mulheres e mulheres negras mostra que a gente está amadurecendo, e isso é a democracia. Não é mais um território apenas de homens brancos.

CM: Como você vê o caso da vereadora Marielle Franco, e até hoje não resolvido?

EP: Acho assustador. Você tem um caso meio encaminhado em que descobre os assassinos, mas não acha o mandante. Independente da visão e lado político, quando estava concorrendo ao governo do Estado, no segundo turno, pude zelar pela honra da Marielle indo contra as cenas dantescas que o ex-governador Wilson Witzel fez durante a sua campanha. Tenho muita satisfação pessoal, neste momento, de defender a honra da nossa vereadora e só posso lamentar ainda não terem resolvido isso.

CM: Você perdeu o governo por uma onda de um mito de um juiz Witzel. Como você vê hoje as lições da campanha anterior e de ter sido derrotado por uma figura como o Witzel?

EP: Só eu e o Correio da Manhã percebemos a farsa que estava sendo apresentada para o Rio de Janeiro naquele momento. De verdade, naquela época, o JORNAL DA BARRA (co-irmão do Correio) e eu descobrimos a farsa com antecedência. Claro que a gente não pode deixar de olhar nossas fragilidades naquele momento, mas eu credito isso a um misto das minhas fragilidades e ao fenômeno Jair Bolsonaro, que subiu carregando um monte de gente para a vitória eleitoral, entre eles o Witzel. Mas a incompetência dele no governo se dá exatamente no momento em que ele faz a sua ruptura com o Bolsonaro, quando mostrou não ter estrutura e quando foram encontrados os erros dele.

CM: Você vai disputar pela primeira vez de braços dados a um antigo prefeito do Rio, César Maia. Como você se sente de ter começado a carreira com Maia e agora tê-lo ao lado ma sua campanha?

ED: Eu fico honrado com o apoio dele e acho que para ele também é motivo de satisfação ter alguém a quem descobriu e deu as primeiras oportunidades para a política, podendo disputar as eleições. Há 28 anos eu era um menino ao lado dele ajudando-o a se eleger, carregando panfletos. É motivo de satisfação e honra para os dois.

CM: Até que ponto essa imersão que você fez de se distanciar do Rio de Janeiro, indo para os Estados Unidos, ajudou a pensar e analisar no seu mandato como prefeito. Afinal, você veio fazer uma “mea culpa” sua sobre o que deu errado em sua campanha eleitoral.

EP: Acho que é um conjunto de coisas, a maturidade da vida, a derrota do meu candidato em 2016, a minha derrota em 2018, tudo isso ensina. O período mais próximo da família nos Estados Unidos, o trabalho no setor privado que eu tive lá, o distanciamento da política que tive lá. É um conjunto de fatos, eu vivi a política cotidianamente desde os 22 anos de idade, disputando candidaturas desde a época do César Maia. Então acho que a maturidade que o tempo traz permite olhar as coisas com mais tranquilidade e clareza, trazendo mais humildade e reconhecer erros.

CM: A vida como prefeito não permite acompanhar a família. Como foi viver nesse período de imersão e conhecer realmente seus filhos?

EP: Foi incrível. Quando eu me elegi como prefeito, o Bernardo tinha 4 anos e a Isabela tinha 2 anos. Então, a real é que voltei a conviver intensamente com eles quando já estavam com 10 e 8 anos. Foi um momento muito especial, que gerou uma estranheza na gente, quando tentei a candidatura de governador e agora como prefeito, por deixar novamente essa rotina. Mas tenho uma mulher incrível, que me apóia e entende este momento. Acredito que ela passa isso aos meus filhos que trazem essa compreensão. Mesmo que possam não concordar muitas vezes, eles compreendem.

Política

CM: Como tem sido esse trabalho de trazer o voto dos evangélicos tendo um candidato que é bispo?

EP: Ao contrário das elites brasileiras, eu não subestimo a inteligência de ninguém. As pessoas não votam pela religião, elas votam pela qualidade do governante e dos valores. Como os meus valores não conflitam com a dos evangélicos, acho que eles têm, sim, condições de observar e avaliar os projetos. Não tenho essa visão de “gado” que muitas pessoas têm, de que eles seguem à risca tudo o que o Pastor decide.

CM: Temos um prefeito que quer armar a Guarda Municipal, você acredita que haja essa necessidade?

ED: Sempre fui contrario a isso, mas mudei de opinião. Acho que ter uma parte de elite da Guarda preparada e armada pode ser positivo sim. Acho que eles podem cumprir um papel de mais protagonismo dentro da segurança pública. Mas fazer isso de maneira lenta e gradual, com cursos específicos e de maneira inteligente. É uma tendência, a própria legislação mudou nesse sentindo para dar mais protagonismo para a Guarda.

CM: O Rio precisa de Paz?

EP: Precisa de paz com ‘Z’ e com ‘S’ (risos).

CM: Você deixou a prefeitura com um alto endividamento?

EP: Contra números não há argumentos. Foi bom o Crivella vir contar essa mentira ao público. Aliás, isso ele fez e insistiu nisso desde o começo do governo dele. Mas já tinha uma demonstração do Tribunal de Contas do Município mostrando um caixa de mais de 500 milhões, segundo os critérios da época, isso tudo judicializado. Mas agora ele veio com essa fake news, a própria justiça proíbe que ele continue espalhando essa mentira. Se tem algo que deixamos organizado, foram as contas da prefeitura. Mas como as pessoas acabam não se envolvendo tanto nesses pontos, ele (Crivella) acredita que vai repetir e insistir em uma mentira até que ela vire verdade, mas temos mecanismos institucionais e democráticos que desmentem isso.

CM: Você acredita nas pesquisas?

EP: Eu acredito, mas não vejo. Não me empolgo com bons resultados e não me deprimo com resultados ruins. Aprendi entender pesquisa, não fico vendo números, não é algo que eu comento, independente do resultado. Em 1998, quando o César Maia disputava com o Garotinho, eu o vi se afundar por acreditar nas pesquisas, acreditar que tendências eram negativas a ele e então ficar desanimado. Dali pra frente, decidi não me apegar a elas. Em 2008, quando disputei com o Gabeira, qualquer especialista falaria que eu já tinha perdido a eleição. Mas as pessoas esquecem que na política sempre há um fator ‘X’ que é o inusitado, que são os erros que o candidato pode cometer, as ondas que podem se formar. Por isso, eu não olho para pesquisas mesmo.

CM: O que tem sido de diferente nesta eleição com adiamento e pandemia?

EP: Tirando o adiamento, nada. A verdade é que existe o mundo das redes e o pessoal. Claro que estamos falando com pessoas mascaradas por questão de saúde, mas eu não noto muita diferença não, elas estão acontecendo normalmente. Claro que, com o passar do tempo, temos a questão da tecnologia que aumenta, como esta entrevista via Zoom que estamos fazendo. Se fosse anteriormente, teríamos gasto pelo menos três horas para nos encontrarmos pessoalmente. Pela internet é mais rápido e dinâmico e a cada eleição ela traz melhorias. Anteriormente isso não existia.

CM: Hoje temos o presidente do STF, o da Câmara e o da República, todos cariocas se não nascidos, de coração, como o caso do Bolsonaro. Você acha que o próximo prefeito pode usar isso a seu favor, ter uma verdadeira constelação de cariocas?

EP: Não só eles, mas o vice-presidente, o ministro da Economia, o chefe da Casa Civil, o ministro da Defesa, entre outros. Ou seja, o prefeito que não conseguir uma ajuda para a cidade só pode ser muito incompetente. Posso dizer que me aguardem,. Vocês vão ver o que eu vou conseguir para a nossa cidade com esse time de cariocas em Brasília. É muita incompetência política de quem está no poder não aproveitar isso. Este é um momento de muito poder para o Rio.

CM: Temos uma questão muito importante e sério que é a distribuição dos royalties petróleo. Não vemos as prefeituras, nem Rio e nem de Niterói, se envolvendo nisso. Como você encara esse cenário?

EP: Para a prefeitura, embora tenha um impacto financeiro, o mais importante e preocupante é o estado colapsar. É natural que o governo lidere esse processo. Nesse caso, o prefeito do Rio, que tem uma importância maior, poderia estar presente. Mas falando de Crivella, a gente sabe que ele não faz nada.

CM: A pandemia afetou muito o turismo no Rio. Como você pretende alavancar esse setor na cidade?

EP: O turismo tem um papel fundamental no Rio, e nós conseguimos melhorar muito nos últimos anos as questões de infraestrutura turística. Porém, há uma percepção muito negativa da cidade hoje. Há necessidade de melhorar essa percepção e as notícias sobre o Rio. Se eu fosse prefeito hoje com o dólar a mais de R$ 6,00 e com coronavírus, eu estaria em São Paulo fazendo uma promoção para alavancar o turismo. Faria uma campanha “Venha pela Dutra passar o seu verão”. Tem muita oportunidade de turismo, mas são muito mal-aproveitadas. Precisa haver a questão de boa percepção do administrador da cidade.

CM: Qual o desafio no ano que vem em relação à covid-19 dentro das comunidades?

EP: No Rio, a gente teve o dobro da letalidade de São Paulo, isso por si só já ajuda. Fomos o pior município no combate ao covid. Não acredito que o Crivella continue propagando como se tivesse feito um bom combate. Nesse cenário, é obvio que os mais pobres sofrem com isso. Foram os pobres das favelas que mais morreram. Para se ter uma ideia, se tivéssemos seguidos os padrões de São Paulo, teríamos salvado cerca de 5 mil vidas no Rio de Janeiro. Pessoas pobres e de favelas. Eu creio que a primeira atitude em relação a isso é trazer de volta a atenção básica da saúde, restaurar as Clínicas da Família, que já estavam desmontadas antes da pandemia. Esse é um dos motivos para o Rio ter ido tão mal na pandemia. No quesito da vacinação, independente de onde ela venha, a medida para o começo do meu governo é justamente alinhar é restaurar o setor de saúde para esse momento.

Política

CM: Em relação a transporte, qual o motivo de termos o BRT, vindo do seu governo, tão deteriorado?

EP: O abandono é porque não há nada que resista ao governo do Crivella. Não há BRT que resista a desleixo e abandono. Os BRTs são uma conquista e o povo mais pobre da cidade sabe disso. Mas é triste passar na Avenida Cesário de Melo e ver todas as estações desativadas. A gente vê o desespero das pessoas por não ter mais o BRT. Nós montamos uma rede de transporte que nunca existiu na cidade, só que ela ficou pronta ao longo dos anos. Em 2012, ficou pronta a Transoeste, em 2014 , a Transcarioca e em 2016, a Transolímpica, junto com o metrô, a chegada do VLT e renovação dos trens. A Transbrasil, que era para ficar pronta em 2017 e 2018, não ficou pronta até hoje. Então a infraestrutura construída não ficou pronta e nem colocada em funcionamento. O que se planejou se perdeu pela falta de gestão do Crivella, que, além de abandonar, não colocou nada para funcionar.

CM: Você fez um acordo que prometia que não abraçaria a questão de Deodoro. O Rio precisa de um autódromo, mas onde você acredita que deve ser feito?

EP: A gente pode e deve ter um. Acho que a questão de Deodoro é dar murro em ponto de faca. A questão ambiental ali é muito forte e não será feita de outro jeito. Eu levaria para a região de Guaratiba. Se olharmos pela maneira de desenvolvimento urbano é ideal que aquela região não se envolva com novas moradias e etc. O autódromo necessita de uma área grande para ser criado, lá seria o ideal.

CM: Um dos problemas do Crivella é em relação ao secretariado é que poucos entendiam de gestão pública. Como você vê essa questão do atual prefeito e como irá fazer?

EP: Minhas alianças de 2008 e 2012 eram muito maiores do que as que tenho hoje. Mas acredito que conseguimos criar dois supersecretariados, com uma mistura de um quadro de técnicos qualificados, em diferentes posições e com quadro políticos também. Eu acredito que a política não pode ser criminalizada. Aliás, o problema que eu tive no secretariado, objetivamente, foi com um quadro técnico, com um engenheiro concursado.

CM: A questão governador: você está mordido pela “mosquinha do Guanabara”? Vai assinar um documento como o João Dória em São Paulo para ficar até o fim?

EP: Não preciso assinar documento. Vou ficar até o fim, estou disputando as eleições para prefeitura por quatro anos e vou cumprir. Deixei isso claro para todos os aliados e amigos. É uma honra poder governar a cidade do Rio de Janeiro. Fazendo uma brincadeira, se eu pudesse me tornaria imperador do Rio de Janeiro e nunca mais sairia, mas respeito muito a democracia. Sairei quando tiver que sair.

CM: Em relação à cultura, que é um segmento que está muito carente, quais são seus planos?

EP: A cultura tem três linhas: a primeira, mais lúdica, que é a cultura como momento de reflexão e relaxamento. Ela é um elemento importante para integração social e tem uma força econômica muito importante para o Rio de Janeiro. Eu apostei muito na cultura do Rio de Janeiro nos meus dois mandatos. No ponto de vista social, ela será muito importante para ajudar na melhoria da desigualdade social que a gente tem. Será, também, fator de uma retomada importante para a economia. De inicio, já posso dizer que ela será uma das vertentes principais do meu governo. A marca Rio de Janeiro se consolidou através das manifestações culturais, como o carnaval, mas outras ações culturais também são fortes.

CM: Você é fruto da Barra e tem um reduto muito forte seu aqui, onde você foi subprefeito e venceu Witzel nas eleições. Fala um pouco dos seus planos para a Barra da Tijuca, que hoje é um dos destinos escolhidos pelos turistas. Atualmente os hotéis lotam primeiro aqui e depois na Zona Sul.

EP: Na Barra da Tijuca temos dois desafios. Um é o ponto de vista de ocupação urbana. Temos que diminuir o tempo de deslocamento das pessoas entre a casa e o trabalho. Embora isso seja uma necessidade de toda a cidade, a Barra está entre os dois maciços da Tijuca e Pedra Branca, que dificulta o transporte, mesmo tendo tantos acessos para a região como eu fiz. O segundo ponto é a questão de saneamento básico que o estado precisa ceder, junto com a prefeitura, como fizemos na Zona Oeste, para conceder o trabalho para a iniciativa privada. É uma vergonha o que vemos na Barra que arrecada um valor imenso e tem as lagoas fétidas e podres.

CM: Temos também um problema crescente, principalmente no Centro Metropolitano, que são as invasões e o crescimento desordenado. Como deter essa invasão?

EP: Fazendo valer a lei. Agora a moda virou ter milícia fazendo invasão. Desde que fui subprefeito, enfrentei essa questão de invasão de terra em Jacarepaguá. Principalmente na Muzema, basta ver uma foto de como ela era em 2016 e como ela está hoje, após o governo Crivella. Na minha gestão vamos fiscalizar esses problemas como um todo.

CM: Em relação ao metrô e o crescimento da população da Barra da Tijuca e Recreio, você acredita na possibilidade da expansão da rede até o Recreio?

EP: Sinceramente, acho difícil, devido às circunstâncias do estado. É dificil que isso seja viabilizado em um curto espaço de tempo. Acho que não é um tema prioritário para este momento. Mas acredito que seja uma luta permanente. Afinal, a Linha 4 surgiu de uma luta de anos dos moradores. Mas neste momento os investimentos estão muito pequenos e não estão na direção do metrô.

CM: “Minha Casa, Minha Vida” no Recreio, você acredita que vá dar uma distorção na qualidade de vida da região?

EP: O problema na real é o adensamento excessivo. O projeto das Vargens foi aprovado no meu governo, um erro que eu reconheci e tentei mudar junto à Câmara, criando uma operação humana parecida com o Porto Maravilha. Não dá para respeitar a legislação atual para as Vargens, inviabiliza a Baixada de Jacarepaguá. É um adensamento excessivo e vergonhoso, precisa ser combatido e faremos isso. Não tem nada a ver com questão financeira, mas sim com adensamento.

CM: Transporte lagunar na Barra sairá no seu governo?

EP: Sai, a gente deixou isso bem avançado no planejamento. Tem que licitar essas linhas, mas isso precisa vir com a limpeza das lagoas que estão muito ruins. Tem até um mercado informal feito pela milícia, mas isso, de fato, eu quero fazer sim.

Política

CM: Sua primeira candidatura vinha de um investimento da Copa do Mundo e Olímpiadas. Hoje, se assumir, você pega uma cidade quebrada. Como você vê essa comparação?

EP: As pessoas esquecem é que a gente teve, sim, um dinheiro de investimento no primeiro mandato e aproveitamos isso, com projetos e PPPs. Mas no segundo, tivemos o Pezão no governo, que não pagava salário, e a Dilma estava sendo impechmada em Brasília. Em economia, o PIB caiu 7%. A prefeitura não fraquejou porque havia gestão e organização das finanças. O governo deve para prefeitura 300 milhões que foram emprestados na época da Olimpíada. Assumimos os hospitais do estado e da Zona Oeste. Dá pra fazer a gestão e cuidar das coisas e melhorar para poder cuidar dos investimentos. É um momento difícil, mas garanto que organizo as contas da prefeitura.

CM: Caso eleito, você assume uma cidade ainda com o título de Cidade Olímpica, uma vez que tivemos o adiamento dos jogos no Japão, além de ser a Capital Mundial da Arquitetura. Capitalizamos muito pouco disso. É uma ironia do destino, terem reservado essa agenda para você?

EP: Confesso que não tinha pensando nisso, mas vou me dedicar a cuidar desse legado olímpico, de desmontar as arenas, criar escolas no local. Não foi construído nada ali. Vai ser uma honra, caso eleito, poder sediar o Congresso Mundial da Arquitetura, que, afinal, foi conseguido no meu mandato. Seria uma pena isso acontecer no mandato do Crivella, que abandonou a cidade. É hora de trazer o Rio para o centro das atenções mundiais, arrumando a cidade para esse momento.

CM: Quem você quer enfrentar no segundo turno?

EP: Adversário não se escolhe. Trabalho todo dia para ter 100% dos votos, mas o povo escolhe e vai decidir. Não sei se vou para o segundo turno,. Se for, vamos trabalhando para vencer. Se não vencermos, foi porque o povo decidiu e que assim seja.

CM: Fale sobre a sua frase: “Para ser um bom prefeito, tem que amar ser prefeito”.

EP: Com certeza, você tem que amar a cidade e saber que é um sacerdócio, não ter dia e não ter hora. Tem que trabalhar muito, acordar muito cedo e dormir muito tarde. Eu era o homem mais feliz do mundo quando era prefeito e quero voltar a ser.