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Por Pedro Sobreiro

Quase um ano após o incêndio que ceifou a vida de dez jogadores no Ninho do Urubu, a diretoria do Flamengo ainda não entendeu a gravidade do que aconteceu nos dormitórios do Centro de Treinamento na madrugada daquele dia 8 de fevereiro de 2019.

Tratado de forma amadora pela diretoria, o caso parece não ter fim, prolongando o sofrimento das famílias das vítimas e manchando a imagem da instituição Flamengo em sua fase recente mais vitoriosa.

Chega a ser uma afronta que o clube campeão brasileiro e da Libertadores, que recebeu premiações milionárias, recorra à decisão do Ministério Público de pagar mensalmente R$ 10 mil aos familiares das vítimas enquanto a situação não é resolvida. E nada é esclarecido para a imprensa ou para a torcida. A comunicação simplesmente não existe quando se trata dos Garotos do Ninho.

O VP do clube, Rodrigo Dunshee, chegou a declarar que não concordava com o pagamento da mensalidade.

Quando o assunto envolve as vítimas, a diretoria flamenguista demonstra uma falta de sensibilidade enorme. O caso mais recente foi a dispensa de cinco meninos que sobreviveram ao incêndio. Não que eles precisassem de vaga cativa por terem sobrevivido, mas um acordo de acompanhamento psicológico enquanto eles treinam era o mínimo esperado. O ideal seria deixar os garotos terem tempo de demonstrar seu futebol, mas também não pegaria tão mal se fechassem um acordo de empréstimo para outros times em vez de serem apenas dispensados. O caso demandava uma atenção especial.

Enquanto os responsáveis não são identificados - muito menos punidos -, as famílias esperam por um desfecho favorável nos tribunais e relembram a perda de seus filhos a cada sessão. Já Flamengo dá um show de amadorismo e parece não entender a gravidade do assunto.