Caldeira reconstrói os laços do Rio com o Governo Federal

Caldeira reconstrói os laços do Rio com o Governo Federal

Por Cláudio Magnavita*

Quando Nilton Caldeira foi anunciado vice-prefeito da chapa de Eduardo Paes muita gente correu para o Google a fim de identificar o currículo do escolhido pelo PL. Naquela eleição majoritária acirrada, com troca de acusações e clima pesado, o nome não tinha qualquer passivo e não iria alimentar a guerrilha eleitoral. As raras referencias eram sempre acompanhadas de elogios, principalmente pela cordialidade desse veterano dirigente, que fundou o Partido Liberal em 1985. Caldeira estava na reunião na sala de jantar de Álvaro Valle quando ele resolveu fundar o PL.

Eleitos e empossados, Nilton Caldeira deseja apenas ser o vice, cuidar das articulações políticas e auxiliar o prefeito em grandes missões. Novamente a história o surpreende.

Vale ressaltar que a situação jurídica de Eduardo Paes, réu em vários processos e citado em acordos de leniência de algumas empreiteiras, sempre colocaram um peso extra na bagagem do vice-prefeito. E se o destino coloca Paes como candidato ao governo do estado? A cidade ficaria entregue a um desconhecido?

Nesses primeiros e nervosinhos meses da gestão Paes, o papel de Nilton Caldeira tem sido o de equilibrar e de estabelecer relacionamentos confiáveis. Nenhum dos partidos da base aliada recebeu integralmente o que foi acordado na campanha. Nem o próprio PL. Paes prometeu muito mais do que poderia entregar. Foi esperto e se elegeu. Na sua primeira grande votação, ganhou por apenas um voto. 23 a 22, e como custou cara esta maioria simples.

Em quatro meses Eduardo Paes abriu diferentes frentes de conflito. Brigou com o governador, com o presidente da República e, agora, nostalgicamente volta ao PSDB, e atrapalha a candidatura do governador João Doria Jr, lançando o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. No Rio, lançou Felipe Santa Cruz, da OAB, e, para agradar a Freixo, contratou o seu pimpolho. Sua política de saúde está tão atrapalhada que acaba de vacinar todos os astrônomos da Prefeitura prioritariamente, além de call center e funcionários administrativos de concessionária funerária.

Para uma cidade falida e enfrentando a pandemia, fechar o diálogo com Brasília poderia ter sido um erro fatal. É neste cenário de reconstrutor de pontes que vem crescendo a importância política de Nilton Caldeira. Sua agenda esta semana foi emblemática. Na quarta, 14, foi recebido no Palácio do Planalto pelo ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos. Uma conversa franca sobre o Rio, não apenas na área da habitação que o vice comanda na Prefeitura, mas sobre conjuntura política, o desempenho do governo estadual e os obstáculos que a nova administração da capital tem enfrentado. Papo de estadista.

Dificilmente o atual prefeito conseguiria a mesma atenção e igual tempo em clima de tamanha cordialidade.

Editorial

 A conversa com o ministro Luiz Eduardo Ramos estava prevista para durar meia hora, mas teve o o dobro do tempo

Na terça, também no Planalto, esteve com a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, uma das estrelas do próprio PL. Nessa conversa ficou acordado que a ministra acompanhará as grandes demandas da cidade, fazendo, através de seu gabinete, as marcações com autoridades federais, tendo Caldeira será o interlocutor. A agenda incluiu visita a secretários nacionais e de pastas específicas.


Em um ambiente tenso, a consolidação de Nilton Caldeira passa a ser um vetor de credibilidade. Sua segurança e capacidade de fazer contraponto para o próprio Eduardo, demonstram o acerto de equilibrar a chapa com um dirigente ponderado e confiável.

Editorial

Caldeira terá o apoio do gabinete da ministra Flávia Arruda para as audiências que precisar

*Cláudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã